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Os 5 elementos na Bienal

Os cinco elementos, a simbologia tradicional chinesa e as cores marcam trabalho de Stevens Vaughn na Bienal de Curitiba’17. As cores vibrantes desse artista são um dos destaques da Bienal de Curitiba’17, que abriu ao público no, dia 1.º de outubro. Seu trabalho, que compõe a mostra Antítese Imagens Síntese, com curadoria de Massimo Scaringella, é uma agradável surpresa para os olhos. No centro da sala, um imenso trono dourado aguarda o espectador. Estrategicamente instalado para ser apreciado, tocado e utilizado pelo visitante.

Vaughn é um pintor ritualista que trabalha com água e pigmentos para revelar o que chama de linguagem da água. Influenciado pelos estudos de filosofia japonesa e chinesa, que consideram a importância da imperfeição para chegar-se à perfeição, Stevens Vaughn desenvolveu uma técnica muito própria de trabalho, “respingando” água (elemento primordial) e pigmentos coloridos para criar formas e movimento. Cada obra é produzida seguindo um ritual performático, que procura expressar um pensamento não-verbal.

“Tenho um fascínio por rituais. Um ritual cria o sentido de ordem na minha existência, o mistério é a essência do meu ser”, diz o artista, que nasceu nos Estados Unidos, mas dedicou a maior parte de sua vida e atuação artística a vários países da Ásia. Hoje vive em Hong Kong.

Sua técnica foi retratada no filme experimental “After Nothing”, do italiano Gianfranco Valleriani, que foi exibido na abertura da Bienal de Curitiba, na própria mostra. O vídeo é dividido em cinco capítulos, seguindo a filosofia do Feng-shui e o número de cores asiáticas usadas por Vaughn, o vídeo retrata as cores e a vida do artista.

O filme foi produzido pela Fundação Hafnia, da qual Vaughn é um dos fundadores, criada para apoiar projetos e artistas de todas as nacionalidades, religiões, sexualidade ou quaisquer outras diferenças, na busca da liberdade e da diversidade cultural. A coleção da Hafnia inclui esculturas, pinturas e cerca de 6 mil cartazes de propaganda chinesa da década de 50 até os anos 80.

A carreira de Vaughn começou em 1984, quando fez seus primeiros trabalhos em vidro, em Taiwan. A partir de então desenvolveu carreira como designer, incluindo trabalhos para marcas norte-americanas como Neiman Marcus, Bloomingdales e Gumps, criando produtos em Limoges (França) e em Murano (Itália). Em 1988, contratado como vice-presidente da renomada marca de design Fitz and Floyd, foi ao Japão para estudar escultura e pintura. Foi então que desenvolveu a percepção de como “a imperfeição é essencial para criar um estado de perfeição”. Naquele período, trabalhou com cerâmica e porcelana na Coréia, Taiwan, Indonésia e China; em 1991 passou um ano em Cuernevaca (México), desenvolvendo trabalhos em porcelana com base no que havia aprendido na Ásia.

A partir de 1992, dividiu seu tempo entre o Sri Lanka, China e Japão até 1996, quando se mudou para a ilha de Xiamen, na China. Ali liderou o desenvolvimento da arte da porcelana nas cidades de Chaozhou e Dehua, o que o qualificou para dar aula na Central Academy of Art Beijing. Em parceria com o lendário escultor dinamarquês Bjorn Norgaard, Vaughn desenhou o sarcófago de cristal da rainha da Dinamarca.

Obras de Vaughn foram apresentadas na 56ª Bienal de Veneza na Itália e na Bienal do Fim do Mundo na Argentina e no Chile. Suas exposições individuais mais recentes incluem O corante que flui, Pavilion of Fine Arts, Buenos Aires 2017; The Rebirth of Color, National Gallery, Sofia 2016. Ele participou de muitos shows em grupo, incluindo Rolling Snowball / 9, Djúpivogur, Islândia 2017; Fusion – A Exposição Internacional de Arte Cerâmica Contemporânea, Museu de Arte da Universidade das Artes de Nanjing 2017.